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A experiência na Internet pode ser divertida para todos, diz Leónie Watson

6 de setembro de 2018

Leónie Watson, diretora de comunicação com desenvolvedores do The Paciello Group, experimenta na prática as dificuldades de uma pessoa cega no acesso à Web, e isso é um fator que favorece sua participação ativa nas discussões e no desenvolvimento de tecnologias capazes de ajudar a solucionar problemas de acessibilidade.

O blog da Conferência Web.br conversou com Leónie sobre a evolução tecnológica e a forma como a inteligência artificial e outras tecnologias inteligentes contribuem nas questões de acessibilidade na Web. Ela também nos adiantou um pouco do que o público do evento pode esperar de sua palestra.

Confira abaixo a íntegra do bate-papo com Leónie, e na sequência aproveite para fazer sua inscrição na conferência!

Web.br – No início dos anos 2000, quando se falava em site acessível, o conceito era basicamente um site de texto. Como a acessibilidade se transformou em uma exigência, e não mais apenas um recurso opcional?
Leónie Watson – Percebemos que os sites compostos exclusivamente por textos eram horríveis! Causavam problemas, ao invés de resolver problemas – e todos os odiavam justamente por causa disso.

Também percebemos que ao usar o HTML como ele deveria ser usado, contamos com um bom ponto de partida para a acessibilidade. O movimento de estabelecimento de padrões web no início dos anos 2000 incentivou os desenvolvedores a escreverem um bom HTML, a fazê-lo bonito com o CSS, e torná-lo interessante de usar com JavaScript.

Paramos de dizer para todos que seus websites eram terríveis. Ao invés de publicar relatórios sobre como os websites fracassavam no atendimento aos padrões de acessibilidade, passamos a incentivar as pessoas a olharem para a acessibilidade com outros olhos. Falamos do desafio de criatividade, da satisfação de fazer a coisa certa e sobre como a acessibilidade era uma questão de orgulho profissional (e não de responsabilidade).

Web.br – Qual a sua opinião sobre como empresas, profissionais e governos adotam a acessibilidade atualmente? Eles estão fazendo isso da maneira correta?
Leónie Watson – Algumas vezes. Ninguém consegue acertar sempre quando o assunto é acessibilidade, mas também ninguém faz tudo 100% certo sempre.

Profissionais, empresas e governos normalmente ficam muito focados nos manuais de acessibilidade. Os manuais e as leis nas quais são baseados são úteis, mas a melhor acessibilidade acontece quando é conduzida por inovação e criatividade. Há muitos exemplos: a Apple lançou o primeiro leitor de tela em um dispositivo touch screen; o governo do Reino Unido incluiu a acessibilidade como um princípio central de desenvolvimento; a Microsoft está trabalhando em API de inteligência artificial para criar aplicativos assistivos; e em todo o mundo profissionais pensam em acessibilidade.

Web.br – Da perspectiva do usuário, em sua opinião, como as pessoas estão interagindo com tecnologias como a inteligência artificial?
Leónie Watson – Fazem isso da mesma maneira como as pessoas sempre interagem com novas tecnologias: alguns começam a utilizá-la imediatamente, alguns têm cautela e a exploram com cuidado antes de adotá-la; e outros acham que se trata de mágica e, portanto, não pode ser real. Outros ainda resistem simplesmente porque é algo novo, enquanto há os que acreditam que ela vá salvar o planeta.

A tecnologia está ficando mais inteligente e sofisticada, mas também está se tornando mais fácil de usar. UNIX era algo difícil para a maioria das pessoas, com seus comandos complexos; Windows era mais fácil de aprender a usar, por causa da sua interface gráfica (GUI); iOS era ainda mais fácil porque simplificou a GUI em torno de uma única tarefa; e agora a Alexa surge como a interação mais fácil de todas porque conseguimos simplesmente lhe fazer perguntas.

Web.br – Quais os principais desafios de acessibilidade quando se pensa no desenvolvimento de técnicas de aprendizado de máquinas e sistemas inteligentes?
Leónie Watson – Precisamos lembrar que, pelo menos por enquanto, os sistemas são tão inteligentes quanto nós os fazemos, mas não são, nem de longe, tão inteligentes quanto precisamos que sejam.

Todo mundo ficou maravilhado quando as primeiras APIs de reconhecimento de imagem foram criadas; era incrível que a inteligência artificial fosse capaz não só de reconhecer aquilo que estava contido em uma imagem, mas traduzi-lo para um ser humano. Então, em um determinado caso, percebemos que os dados usados para treinar a inteligência artificial tinham falhas e, o que é pior, falhava no sentido de induzir ao preconceito racial, já que as imagens utilizadas para treinar a máquina eram, em sua vasta maioria, de rostos de pessoas brancas.

A inteligência artificial é de fato inteligente, mas não significa que seja humana. Ela pode ajudar a encontrar uma cafeteria, ajudar a escolher o café e até dizer que ele será servido em uma linda xícara vermelha. Mas é incapaz de dizer se você vai ou não gostar do café. Há muito mais no ser humano do que a inteligência artificial pode querer emular no curto prazo, então é importante lembrar que a inteligência artificial é uma ferramenta, e não uma solução para os humanos.

Web.br – Na prática, o que você planeja discutir com o público na Conferência Web.br, em outubro? Por que o público precisa participar da sua apresentação, e o que a audiência aprenderá ali?
Leónie Watson – Vamos explorar o que é ser um humano incapaz de enxergar; como a inteligência artificial e a tecnologia podem ajudar; descobrir meios de fazer mais do antes por meio da inteligência artificial; ver as maneiras como interagimos com a inteligência artificial e com as tecnologias inteligentes; aprender como fazer realmente funcionar as conversas com tecnologias inteligentes; e tentar responder algumas das questões que surgem à medida que continuamos aproximando a inteligência artificial dos seres humanos. Mas, mais do que tudo isso, com certeza iremos nos divertir!

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