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Conferência Web.br 2018 promove aprendizado na prática das tecnologias Web mais inovadoras

8 de outubro de 2018

Primeiro dia de evento contou com workshops sobre machine learning, inteligência artificial, realidade virtual, entre outros temas. 

A 10ª edição da Conferência Web.br teve início na quinta-feira (4/10) promovendo o aprendizado na prática sobre as tecnologias Web mais inovadoras. Os participantes tiveram a oportunidade de colocar a mão na massa e aprender a desenhar projetos de dados e inteligência artificial, construir cenas de realidade virtual na Web, aplicar as diretrizes de acessibilidade do W3C em projetos de inteligência artificial, gerir dados abertos, além de técnicas para enganar machine learning (aprendizado de máquina), entre outros assuntos. Realizado pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), com apoio do Escritório Brasileiro do World Wide Web Consortium (W3C Brasil), o evento segue nesta sexta-feira (5) com palestras de renomados keynote speakers. Ainda é possível adquirir ingressos no local (Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo).

“A Web na era da computação cognitiva” é o tema que impulsiona os debates deste ano da Conferência Web.br, já consagrada como principal espaço brasileiro de discussão sobre as tendências e boas práticas de desenvolvimento Web. Nesse sentido, um dos assuntos do momento, machine learning esteve em pauta em workshop ministrado por Sofia Marshallowitz (desenvolvedora de tecnologias aplicadas ao Direito na Opice Blum Advogados). É um ramo da inteligência artificial preocupado com o design e desenvolvimento de algoritmos que permite aos computadores identificarem e aprenderem novos padrões, introduziu a especialista. Serviços de streaming que recomendam filmes e séries a partir dos hábitos de navegação dos usuários, chatbots e carros autônomos são exemplos concretos do uso de machine learning.

Durante workshop, Sofia elencou os fatores que afetam o desempenho do machine learning, entre eles, os tipos de treinamento fornecidos e os algoritmos de aprendizado usados. Ela comentou o funcionamento do adversarial machine learning, campo de pesquisa que está na interseção entre aprendizado de máquina e segurança de computadores. “Envolvem situações em que os atacantes tentam influenciar ou corromper o próprio machine learning. Esse envenenamento acontece na fase de treinamento da máquina”, explicou Sofia.

Dá para se prevenir? “Não temos um método 100% seguro, pois é algo volátil. Na hora de treinar a máquina, sugiro colocar dado sujo, ruído, informação incorreta para observar como ela irá responder”, recomendou a especialista, enfatizando a importância de que a segurança seja contemplada em todas as fases dos projetos.

Outro tópico em alta, a Gestão de Dados Abertos foi analisada em workshop com a participação de diversos especialistas, entre eles Alexandre Barbosa (gerente do Cetic.br) e Vagner Diniz (gerente do Ceweb.br), que chamou a atenção para a mudança de parâmetros sobre o consumo de dados. “Há correntes de pesquisas que incentivam a liberação total de dados e, muitas vezes, o que acontece é que eles ficam disponíveis, mas são pouco consumidos. Já outras correntes defendem a co-criação de valores dos dados abertos. Não se vende mais produtos, mas sim a experiência atrelada a um produto ou serviço digital. A gestão de dados deve, portanto, levar em conta esses fundamentos”, destacou.

Acessibilidade

A Web.br 2018 também aprofundou questões relevantes da acessibilidade na Web, seja no cenário das publicações digitais, seja no campo da inteligência artificial. “A acessibilidade não é um acessório, um recurso, nem de um livro digital e nem de um sítio web. É um requisito básico. Precisamos trabalhar bastante nessa direção, é importante que todos estejam conscientes”, enfatizou José Fernando Tavares (fundador e diretor na Booknando Livros) durante a apresentação sobre acessibilidade e semântica nas publicações digitais em formato ePub3.

Tavares trouxe insights do que pode ser feito para melhorar o trabalho relacionado aos livros digitais e comentou áreas que podem ser exploradas por profissionais Web. “Como levar o design e a experiência do usuário para a produção dos livros? Esse é um campo a ser explorado pelos profissionais de UX (user experience). No mercado editorial, também há uma carência de sistemas que integrem melhor o fluxo de trabalho, desde a construção do livro, passando pela revisão, até o momento da publicação”.

Para Tavares, investir em recursos de acessibilidade é também aprimorar o uso de tecnologias promissoras. “A acessibilidade não é apenas para nós, seres humanos. Ela é fundamental para sistemas de inteligência artificial e computação cognitiva, pois irá facilitar o acesso as informações publicadas. A semântica passa a ser muito importante”, afirmou Tavares, que recomendou duas documentações essenciais para ePub: Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.0, do W3C, e EPUB Accessibility 1.0 (alavanca e reforça os requisitos do WCAG e acrescenta requisitos próprios para o ePub).

Aprofundando o tema, Marcelo Sales (UX Designer no Itaú Unibanco) mostrou na prática como aplicar a WCAG (as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web) em projetos de inteligência artificial. “Estudar WCAG é demorado e complicado. A solução que encontrei para facilitar esse processo foi produzir um tool kit de acessibilidade”, informou o especialista, que distribuiu o material (conjunto de cartas) aos participantes do workshop e lançou o desafio: Quais critérios de sucesso você acredita serem relevantes para a construção de um chatbot acessível?

Marcelo apresentou quatro princípios do WCAG que guiaram a atividade: o chatbot deve ser perceptível (por exemplo, aos olhos, ouvidos e tato), operável (por mouse, por teclado e por voz), compreensível (conteúdo claro e sem ambiguidade) e robusto (tem que funcionar em qualquer lugar). “Quando temos a oportunidade de construir juntos, de mostrar exemplos práticos fica muito mais simples conscientizar as pessoas sobre a importância da acessibilidade. Usamos um exemplo de AI, mas podemos substitui-lo por qualquer projeto.”

Inteligência artificial

Em mais uma atividade no estilo “mão na massa”, Carolina Bigonha, cofundadora e diretora de Impacto da Hekima, ensinou como desenhar projetos de dados e inteligência artificial. A especialista trouxe um caso de estudo sobre a evasão de alunos de uma faculdade e incentivou que os participantes preenchessem um canvas com os desafios, análises e ações, além de questões éticas.

“No desenho da solução, menos é mais. Os dados que as empresas já têm muitas vezes são tão inexplorados que se utilizarmos conseguiremos obter um bom resultado”, pontuou Carolina, lembrando ainda que “80% do esforço de um projeto é colocar os dados para serem processados. É um trabalho minucioso, pois existem muitos problemas de qualidade dos dados”.

A especialista também alertou que modelos automatizados podem tomar decisões sensíveis, por exemplo, em casos de concessão de crédito. “Apesar de ter ‘artificial’ no nome, é um sistema humano, existe interferência humana em partes do processo, a começar pela preparação dos dados. Para todos os projetos precisamos do olhar de AI centrado em pessoas”, salientou.

Neste primeiro dia de evento, desenvolvedores, designers, gestores, estudantes e usuários de Internet também tiveram a oportunidade de construir cenas de realidade virtual na Web a partir dos avanços do Framework A-frame, da Mozilla, de aprender a criar e avaliar a usabilidade de sistemas conversacionais, como chatbots, de entender o funcionamento da acessibilidade no contexto dos Frameworks de JavaScript, entre outros assuntos. Os workshops dividiram espaço com uma experiência multissensorial de realidade virtual do Greenpeace. Os participantes da Web.br podem fazer uma imersão na tribo indígena Munduruku, não só por meio de visão e audição, mas envolvendo sentidos como tato e olfato.

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